Durante quase duas décadas, o cinema foi dominado por capas, escudos e raios cósmicos. O universo cinematográfico da Marvel redefiniu o conceito de blockbuster, criando uma narrativa interligada que se tornou um fenômeno cultural. “Vingadores: Ultimato” não apenas quebrou recordes de bilheteria, como também consolidou a ideia de que os super-heróis eram a principal força da indústria do entretenimento.
Mas, passados os anos de ouro, a fórmula já não parece surtir o mesmo efeito. Os lançamentos recentes da Marvel têm enfrentado queda de público e críticas mistas, levantando a dúvida: até onde vai a magia desse universo? O cansaço do público diante de histórias que parecem repetir estruturas conhecidas tem colocado em xeque a hegemonia que antes parecia inabalável.
Do outro lado, a DC tentou trilhar um caminho semelhante, apostando em um universo compartilhado sob a visão de Zack Snyder. O resultado foi conturbado: filmes de apelo desigual e uma cronologia confusa. Ainda assim, Snyder conquistou uma legião de fãs que fez ecoar nas redes sociais o pedido pela sua versão de “Liga da Justiça”, lançada anos depois com grande repercussão e prova do poder da comunidade de fãs.
Diante desse cenário, a Warner tomou uma decisão drástica: entregar o comando do futuro da DC Studios a James Gunn e Peter Safran. A missão é clara — reestruturar a marca, encontrar uma identidade coesa e conquistar novamente a confiança do público. O novo filme do Superman, que inaugura essa fase, trouxe resultados promissores. Embora ainda cedo para cravar um renascimento, o herói mais clássico dos quadrinhos voltou a despertar interesse e reacendeu a esperança de que o gênero possa se reinventar.
A grande questão, no entanto, permanece: será que o público ainda precisa dos super-heróis como protagonistas absolutos dos blockbusters? A ascensão de produções de gêneros diversos, como terror, ficção científica e até dramas biográficos de grande escala, sugere que o espectador está aberto a novas experiências. Talvez não seja o fim dos super-heróis, mas o início de uma nova era em que eles dividam espaço com narrativas diferentes — e quem sabe até mais ousadas.
Hollywood, afinal, está pronta para viver sem a muleta dos super-heróis? Ou, diante da previsibilidade da indústria e da busca incessante por bilheterias garantidas, continuaremos presos a capas e armaduras como combustível das maiores produções? A resposta pode redefinir não apenas o futuro do gênero, mas também o próprio conceito de blockbuster.













































