O Brasil deixou de ser apenas consumidor ocasional e passou a jogar no time titular do mercado mundial de games. Hoje, videogame no país é cultura, lazer, negócio e hábito cotidiano — presente no bolso, na sala de casa e na palma da mão de milhões de brasileiros 🎮🇧🇷
Um país que joga — e muito
Para entender o mercado brasileiro de games, basta olhar para um dado impressionante: cerca de 72% dos brasileiros com mais de 16 anos jogam videogames, independentemente da plataforma. Em outras palavras, jogar deixou de ser nicho e se tornou algo amplamente difundido entre jovens e adultos.
Segundo a Pesquisa Game Brasil, o perfil do jogador brasileiro também quebra estereótipos antigos. As mulheres são maioria, representando 51,5% do público gamer, enquanto os homens somam 48,5%. Essa inversão está diretamente ligada ao crescimento dos jogos em smartphones, plataforma onde o público feminino chega a 62,2%, contra 37,8% de homens.
Já em consoles e computadores, o cenário ainda é diferente:
Consoles: 61,9% homens e 38,1% mulheres
PCs: 59,6% homens e 40,4% mulheres
Ou seja, o celular foi o grande responsável por ampliar e diversificar o público gamer no Brasil.
Jovem, mas nem tanto
Embora o público gamer seja majoritariamente jovem, ele é bastante distribuído entre faixas etárias. Entre quem joga no Brasil:
10,5% têm entre 16 e 19 anos
22,5% entre 20 e 24 anos
18,6% entre 25 e 29 anos
16,7% entre 30 e 34 anos
12,9% entre 35 e 39 anos
12,2% entre 40 e 49 anos
6,8% têm mais de 50 anos
E ainda há um público enorme abaixo dos 16 anos, que não entra nas estatísticas formais, mas movimenta fortemente o mercado. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos, 91% das crianças jogam videogames, principalmente em smartphones e tablets. No Brasil, limitações econômicas ainda restringem o acesso, mas a popularização dos celulares aponta para um crescimento semelhante nos próximos anos.
Smartphone: a grande porta de entrada
Mesmo com o crescimento de consoles e PCs, os smartphones seguem como a principal plataforma no Brasil. Isso acontece porque o celular é um dispositivo multitarefa: já está no bolso, não exige investimento adicional e permite jogar em qualquer momento.
Esse fator amplia o alcance dos games para:
públicos não tradicionalmente gamers;
pessoas com menor poder aquisitivo;
crianças e adolescentes que dependem do investimento dos pais.
Não por acaso, o Brasil é líder em jogos mobile e online na América Latina.
O peso econômico do Brasil gamer
De acordo com dados da SuperData, o Brasil responde por 34% das vendas de jogos na América Latina, à frente de México e Argentina. O mercado nacional movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão por ano, com aproximadamente 39 milhões de jogadores mobile.
A presença de smartphones cresce acima das previsões. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, o país já conta com dezenas de milhões de aparelhos ativos, o que reforça o potencial de expansão do setor.
Hoje, o Brasil ocupa a 13ª posição no ranking mundial de games, com projeções realistas de alcançar o top 10 em um futuro próximo.
Diversidade e desigualdade no acesso
O perfil do jogador brasileiro também reflete a diversidade do país — e suas desigualdades. Em termos de etnia, os gamers se identificam como:
46,0% brancos
36,7% pardos
13,6% pretos
2,0% amarelos
0,6% indígenas
1,1% outras etnias
Já em relação à classe social:
10,9% classe A
11,8% classe B1
27,6% classe B2
22,2% classe C1
16,6% classe C2
10,9% classes D e E
Historicamente, os games eram consumidos majoritariamente pelas classes com maior renda. Hoje, graças aos smartphones, esse cenário começa a mudar, ampliando o acesso às camadas populares.
Um futuro cada vez mais conectado
O Brasil já é um dos mercados mais relevantes do planeta quando o assunto é videogame. Com o crescimento contínuo dos smartphones, a melhoria do acesso à internet e a chegada de jogos em nuvem, que dispensam hardware caro, a tendência é clara: o país deve ganhar ainda mais protagonismo no cenário gamer global.
No Brasil, jogar não é mais exceção — é regra. E tudo indica que esse jogo está só começando 🚀🎮
Referências
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GUIMARÃES, Clayton Douglas Pereira; GUIMARÃES, Glayder Daywerth Pereira.














































