Dos cálculos militares às placas de vídeo turbinadas, a história dos jogos de computador é praticamente um espelho da própria evolução da tecnologia. O que hoje é uma indústria bilionária, capaz de ditar tendências de hardware e software, começou de forma quase experimental, ainda nos primórdios da computação.
Quando jogar era coisa de laboratório
Nos anos 1940, os computadores surgiram com um objetivo bem específico: realizar cálculos complexos, principalmente para fins militares. Eram máquinas enormes, caras e restritas a ambientes acadêmicos e governamentais. Mas, mesmo nesse cenário pouco amigável ao entretenimento, a ideia de usar computadores para “jogar” já começava a aparecer.
Na década de 1950, com o avanço tecnológico que marcou a chamada segunda fase da computação, os computadores começaram a diminuir de tamanho. Isso abriu caminho para que, aos poucos, eles saíssem dos laboratórios e se aproximassem do público civil — ainda que de forma limitada. Foi nesse contexto que nasceu, em 1952, uma versão digital do jogo da velha, criada por Alexander S. Douglas, frequentemente apontada como o primeiro jogo eletrônico da história.
Poucos anos depois, em 1958, outro experimento chamou atenção: Tennis for Two, desenvolvido por William Higinbotham, que simulava uma partida de tênis em uma tela — algo surpreendente para a época.
Spacewar e o nascimento dos games como conhecemos
Com a maior difusão dos computadores a partir dos anos 1960, ficou claro que eles poderiam ir além do trabalho técnico. Em 1961, surgiu Spacewar!, um verdadeiro divisor de águas. Criado por Steve Russell e Alan Kotok, o jogo não apenas popularizou a ideia de jogos eletrônicos, como também inspirou a criação de máquinas dedicadas exclusivamente a essa finalidade.
Segundo o pesquisador Cristiano Max Pereira Pinheiro, Spacewar ajudou a estabelecer o formato base dos jogos eletrônicos, influenciando gerações de desenvolvedores e abrindo caminho para a indústria que surgiria nas décadas seguintes.
A popularização e a era do consumo em massa
Entre os anos 1970 e 1990, os computadores entraram definitivamente na fase da usabilidade. A tecnologia passou a ser vista como ferramenta para aumentar a produtividade — e também para o lazer. Foi nesse período que Bill Gates e Paul Allen lançaram a linguagem BASIC, amplamente adotada por fabricantes e desenvolvedores. Ao mesmo tempo, Steve Jobs e Steve Wozniak apresentaram os primeiros computadores da Apple, ajudando a transformar o computador em um objeto de consumo de massa.
Com máquinas mais acessíveis e poderosas, os jogos se tornaram mais frequentes, complexos e criativos, aproveitando melhor os recursos computacionais disponíveis.
Dos pixels ao ray tracing
Hoje, os jogos de computador vão muito além de simples experimentos. Single player, multiplayer online, mundos abertos, gráficos em altíssima resolução, ray tracing, DLSS e experiências imersivas mostram como a demanda por jogos influencia diretamente a indústria de hardware, com componentes desenvolvidos especificamente para esse fim.
As tecnologias computacionais continuam evoluindo para diversos usos — militares, acadêmicos e, claro, de entretenimento. Dentro desse cenário, os jogos eletrônicos ocupam um papel central, movimentando cifras impressionantes e moldando o futuro da computação, seja em computadores pessoais ou em máquinas dedicadas exclusivamente aos jogos, os populares videogames.
De um simples jogo da velha digital aos universos hiper-realistas atuais, os jogos de computador provaram que brincar também pode ser coisa séria — e extremamente lucrativa
Referências
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GUIMARÃES, Clayton Douglas Pereira; GUIMARÃES, Glayder Daywerth Pereira.













































