Nos últimos anos, os videogames começaram a beber direto da fonte das séries de streaming. Temporadas, capítulos semanais, suspense no final de cada parte… tudo isso ajudou a popularizar a episodificação dos jogos, um formato que mudou a forma como algumas histórias são contadas nos games.
A episodificação funciona de maneira simples: em vez de lançar um jogo completo de uma só vez, a desenvolvedora divide a experiência em episódios, que são lançados separadamente ao longo do tempo. Cada episódio continua a história, geralmente terminando com aquele famoso cliffhanger que deixa o jogador ansioso pelo próximo capítulo.
Um dos primeiros e mais importantes exemplos desse modelo foi The Walking Dead, lançado em 2012 pela Telltale Games. O sucesso foi tão grande que não só consolidou o formato, como também mostrou que jogos episódicos podiam ser emocionalmente fortes, narrativos e extremamente envolventes.
Depois disso, vários outros títulos seguiram o mesmo caminho. Dá pra citar Resident Evil Revelations 2, da Capcom, além de Tales from the Borderlands, Game of Thrones, Minecraft Story Mode e Life is Strange, este último publicado pela Square Enix.
Do ponto de vista das desenvolvedoras, a episodificação traz vantagens claras. O estúdio ganha mais tempo para desenvolver os próximos capítulos, pode ajustar a narrativa com base no feedback dos jogadores e ainda tem a chance de arrecadar mais, já que cada episódio é uma nova oportunidade de venda. Além disso, o investimento inicial costuma ser menor do que o de um jogo completo lançado de uma só vez.
Para o jogador, a experiência pode ser muito boa — especialmente em jogos focados em narrativa. Jogar por episódios cria um ritmo parecido com o de uma série, aumenta o envolvimento com a história e dá tempo para digerir os acontecimentos antes de seguir adiante.
Mas nem tudo são flores. A episodificação não é uma prática ilícita, porém exige atenção do consumidor. Dependendo do preço de cada episódio, o valor total da temporada pode acabar ficando mais caro do que um jogo completo tradicional. E existe um risco ainda maior: se os primeiros episódios venderem pouco, a desenvolvedora pode simplesmente cancelar o restante, deixando a história incompleta.
Esse cenário é especialmente problemático quando houve divulgação prévia do número total de episódios. Nesses casos, a interrupção do desenvolvimento pode configurar dano ao consumidor, já que a compra foi feita com base em uma promessa que não foi cumprida — situação que, em tese, pode gerar direito à indenização.
No fim das contas, a episodificação é uma ferramenta interessante e criativa, que pode render ótimas experiências narrativas. Mas, como em muitas práticas da indústria dos games, o ideal é que o jogador esteja bem informado antes de embarcar. Afinal, ninguém gosta de ficar preso em uma história… sem final 🎮📉













































