Do laboratório à sala de estar, os videogames de mesa fizeram uma jornada épica. O que começou como simples experimentos em computadores gigantes virou uma das maiores indústrias do entretenimento mundial, moldando gerações, culturas e até a forma como interagimos com a tecnologia. Aperte o start e vem com a gente nessa viagem no tempo 🎮✨
Quando o videogame ainda nem era videogame
Antes de existirem consoles dedicados, os jogos eletrônicos eram apenas programas rodando em computadores comuns. Mas isso mudou rápido. Em 1968, Ralph H. Baer criou o primeiro videogame doméstico da história, que chegou ao mercado como Magnavox Odyssey. Pela primeira vez, jogar deixou de ser coisa de laboratório e passou a fazer parte da sala de casa.
A ideia inspirou Nolan Bushnell, fundador da Atari, a criar os arcades: máquinas de jogos operadas por moeda, espalhadas em bares e fliperamas. Foi aí que nasceu o lendário Pong, um “tênis de mesa” digital simples, viciante e histórico — o primeiro videogame realmente lucrativo.
Arcades ditam moda, consoles conquistam lares
Durante os anos 1970, arcades e videogames domésticos evoluíram lado a lado. Enquanto os fliperamas mostravam o que a tecnologia tinha de mais avançado, os consoles levavam os jogos para dentro de casa, ajudando a popularizar o hobby.
Nessa época surgiram clássicos dos arcades como Space Invaders, da Taito, e Asteroids, da Atari. Ao mesmo tempo, consoles domésticos como Philips Tele-Spiel e Telejogo marcaram a chamada primeira geração de videogames.
No fim da década, com os processadores de 4 bits, começou a segunda geração, liderada por consoles icônicos como Atari 2600, Magnavox Odyssey 2 e Atari 5200. Mesmo assim, os arcades continuavam fortes, especialmente com o fenômeno Pac-Man, da Namco.
Quando jogos viraram obras autorais
Até o início dos anos 1980, quem fazia o console também fazia os jogos. Isso mudou com o surgimento da Activision em 1980, a primeira desenvolvedora independente de hardware. Pouco depois, em 1982, surgiu a Electronic Arts, que passou a atuar como uma “editora” de jogos, valorizando o trabalho autoral dos desenvolvedores.
Essa separação entre hardware e software transformou o mercado, mas também trouxe problemas. A enxurrada de consoles e jogos de baixa qualidade levou ao famoso crash dos videogames de 1983, agravado pela ascensão do computador pessoal. O mercado quase colapsou.
Nintendo, Sega e a salvação dos videogames
A virada veio com a terceira geração, impulsionada pelos processadores de 8 bits. A grande protagonista foi a Nintendo, que lançou o Famicom no Japão e, em 1985, o Nintendo Entertainment System no Ocidente. O sucesso foi imediato, ajudado pela fama do arcade Donkey Kong.
Logo surgiu a rivalidade com a Sega, que lançou o Master System. A disputa esquentou na quarta geração (16 bits), com Super Nintendo Entertainment System contra Sega Genesis. Essa “guerra dos consoles” elevou o nível técnico e criativo dos jogos.
Do 2D ao 3D e a explosão do mercado
O salto seguinte veio com a quinta geração, marcada pelos gráficos 3D e processadores de 32 e 64 bits. Entraram em cena o PlayStation, o Sega Saturn e o Nintendo 64. O PlayStation dominou a geração graças ao uso de CDs e a um preço mais competitivo.
No fim dos anos 1990 chegou a sexta geração, inaugurada pelo Dreamcast, seguido pelo PlayStation 2, GameCube e Xbox. O PS2 se tornou o console mais vendido de todos os tempos, enquanto recursos online começaram a ganhar espaço.
Movimento, inovação e o futuro
A sétima geração trouxe o Xbox 360, o PlayStation 3 e o revolucionário Nintendo Wii, que apostou em controles por movimento e conquistou públicos além dos gamers tradicionais.
Na oitava geração, tivemos o Wii U, PlayStation 4, Xbox One e o híbrido Nintendo Switch, que uniu console de mesa e portátil em um só aparelho.
Já a nona geração, com PlayStation 5 e Xbox Series X, trouxe SSDs ultrarrápidos, ray tracing e gráficos de cair o queixo. Ao mesmo tempo, surgiram os serviços de jogos em nuvem, como Google Stadia, Amazon Luna e Xbox Cloud Gaming, apontando para um futuro onde talvez nem seja mais necessário ter um console físico.
Muito além do jogo
Hoje, produzir um videogame é quase como fazer um filme: envolve roteiristas, diretores de arte, músicos, programadores e equipes enormes. Os custos são altos, mas o mercado é altamente lucrativo — e culturalmente poderoso.
No fim das contas, os videogames de mesa são mais do que máquinas: são uma forma de lazer, expressão cultural e interação social. Eles evoluem junto com a sociedade, absorvendo novas tecnologias e criando novas formas de jogar. E se a história mostrou algo até aqui, é que o próximo “level up” nunca demora a chegar.
Referências
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GUIMARÃES, Clayton Douglas Pereira; GUIMARÃES, Glayder Daywerth Pereira.














































