O universo dos animes isekai está repleto de protagonistas que reencarnam em mundos de fantasia, mas poucos brincam tanto com os clichês do gênero quanto Trapped in a Dating Sim: The World of Otome Games Is Tough for Mobs. Adaptado da light novel de Yomu Mishima, o anime entrega uma combinação inusitada de comédia sarcástica, crítica social e batalhas mecha, ambientada em um mundo inspirado em jogos de romance voltados ao público feminino — os famosos otome games.
🌀 Sinopse: um “mob” que virou barão
A história acompanha Leon Fou Bartfort, um jovem moderno e cínico que morre e renasce dentro de um jogo de simulação de namoro que sua irmã o obrigou a zerar. Nesse novo mundo, Leon não é o protagonista, nem um dos interesses amorosos — ele é apenas um mob, um personagem secundário sem relevância na história principal.
Mas há um diferencial crucial: Leon conhece todo o enredo do jogo. Por já tê-lo jogado, ele entende os segredos, atalhos e eventos que moldam aquele universo. Com essa vantagem, decide usar o conhecimento estratégico para escapar de uma vida miserável e conquistar uma posição melhor — mesmo em um reino matriarcal, onde os homens ocupam papéis sociais inferiores e são, em regra, vistos como servos das mulheres nobres.
Usando sua astúcia, Leon torna-se aventureiro, acumula riquezas e conquista o título de barão, um feito improvável para alguém de sua origem. Com isso, passa a frequentar a academia real, uma instituição onde os jovens da nobreza buscam alianças e casamentos vantajosos. Nesse cenário, ele se envolve, ainda que contra sua vontade, nas intrigas políticas e amorosas do jogo — e começa a interferir diretamente no rumo dos eventos.
👑 Um mundo virado de cabeça para baixo
Em Trapped in a Dating Sim, as mulheres dominam o poder político e social, enquanto os homens são tratados como inferiores, salvo raras exceções, como o príncipe e alguns nobres da corte. Essa inversão de papéis gera situações cômicas, mas também cria espaço para reflexões sobre status, hierarquia e mérito — tudo sob o olhar irônico de Leon, que vive criticando o absurdo do mundo ao seu redor.
Contudo, o que começa como um plano calculado muda de rumo quando Leon percebe que não é o único a ter renascido nesse mundo. Outra pessoa — também com conhecimento prévio do jogo — começa a interferir no roteiro original, alterando o destino dos personagens principais. As mudanças forçam Leon a agir além do que havia planejado, envolvendo-se com a protagonista e a antagonista originais do jogo, o que gera conflitos inesperados, alianças improváveis e reviravoltas constantes.
⚙️ Um isekai diferente
O grande trunfo do anime é o tom autoconsciente e sarcástico. Leon não é um herói altruísta, mas alguém pragmático, que encara o novo mundo com cansaço e ironia — o que dá um frescor incomum ao gênero. As cenas de ação, que envolvem batalhas com robôs gigantes (mechas), trazem dinamismo à narrativa e quebram a monotonia das tramas escolares e românticas típicas de animes otome.
💬 Pontos fortes e fracos
Entre os acertos estão o humor ácido, a crítica aos estereótipos dos jogos de romance e a originalidade do conceito. Por outro lado, a animação é irregular, e alguns episódios apresentam ritmo apressado. Ainda assim, o enredo compensa com personagens carismáticos e uma história que evolui de forma mais complexa do que parece à primeira vista.
🧩 Veredito final
Trapped in a Dating Sim é uma surpresa agradável dentro do gênero isekai. Mistura inteligência, sarcasmo e aventura, ao mesmo tempo em que faz graça dos clichês que costumam dominar esse tipo de história. Leon é um protagonista atípico, e vê-lo subverter as regras de um mundo que o despreza é o que torna o anime tão divertido de acompanhar.
👉 Vale a pena assistir se você procura algo leve, com humor autodepreciativo, críticas sutis à estrutura social dos mundos de fantasia e uma boa dose de ação e estratégia.













































